“De que vale ter voz se só quando não falo é que me entendem? De que vale acordar se o que vivo é menos do que o que sonhei?”

“O menino que escrevia versos”

BIOGRAFIA DE MIA COUTO




PRINCIPAIS PRÊMIOS RECEBIDOS

1995 - Prêmio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos;
1999 - Prêmio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra;
2001 - Prêmio Mário António, pelo livro O último vôo do flamingo;
2007 - Prêmio União Latina de Literaturas Românicas;
2007 - Prêmio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, na Jornada Nacional de Literatura;
2012 - Prêmio Eduardo Lourenço 2011.
2013 - Prêmio Camões.

TRADUÇÕES:

Muitos dos livros de Mia Couto são publicados em mais de 24 países e traduzidos, entre outras línguas, para o alemão, francês, espanhol, catalão, inglês e italiano. OBRAS DE MIA COUTO ADAPTADA PARA O CINEMA:

Filme: Um Rio

Adaptação: “Um Rio” é uma adaptação do romance “Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra”, de Mia Couto. Sinopse: Quando a pá do coveiro se quis enterrar na terra, para tapar a cova onde ficaria sepulto o cadáver de Dito Mariano (Isaac Mandlate), embateu numa superfície inexpugnável e rija como aço. A tempestade raiou no céu e um pasmo trespassou os elementos da família presentes no enterro. Os rumores tomaram conta de “Luar do Chão”, a ilha onde o patriarca Dito Mariano era “o homem de todas as mulheres”. Para mais, o cadáver exibia o rictus sorridente a que Dito, em conversa com o Padre Nunes e o taberneiro Tuzéio (Adelino Branquinho), chamara “o sorriso da Mona Lisa”, que só se desata quando se chegou à cifra de cem mulheres”. De quem seria a culpa da terra não abrir, das alterações climatéricas, daquele “riso do Diabo”, segundo Admirança (Cândida Bila), a cunhada? A discórdia eclode entre as mulheres. Dulcineusa (Ana Magaia), a matriarca da família, sentencia: “A terra não abre porque há segredo por desfazer”.

Direção: José Carlos de Oliveira
Argumento: António Cabrita, José Carlos de Oliveira e Luís Carlos Patraquim
Produtor: José Carlos de Oliveira
Ano: 2005
Gênero: Drama
Duração: 118’
Elenco: Anabela Moreira (Conceição); Jorge Mota (Lopes); Cândida Bila (Admirança); Mariana Coelho (Carminda); Paula Guedes (Mulher no velório); Jorge Loureiro (Carteiro); Ana Magaia (Dulcineusa); Isaac Mandlate (Mariano); Adelino Branquinho (Tusébio); Ana Paula Mota (Sara)

Filme: Terra Sonâmbula

Adaptação: Terra Sonâmbula é uma adaptação cinematográfica de 2007 de um livro com o mesmo nome por Mia Couto. Sinopse: Durante a Guerra Civil Moçambicana, encontramos Muidinga, um rapaz frágil e amnésico, cujo sonho é o de encontrar a sua família. Junto a um cadáver estendido na estrada, Muidinga encontra um diário que narra a história de uma mulher que procura o seu filho num barco em alto mar. Motivado pela esperança de encontrar a sua própria família, Muidinga convence-se de que ele é o rapaz procurado. Embarca, com Tuahir, um sábio e solitário contador de histórias que o recolheu num campo de refugiados numa viagem à procura dessa mulher. No entanto a viagem é dura: movem-se num estado de delírio. A estrada por onde erram, como sonâmbulos, é mágica: apercebe-se dos seus desejos e move-os de um sítio para o outro, não os deixando falecer, até que possam alcançar o tão desejado mar.

Diretor: Teresa Prata
Elenco: Nick Lauro Teresa, Aladino Jasse, Ernesto Lemos Macuacua, Filimone Meigos, Tânia Adelino, Erónia Malate, Alan Cristina Salazar, Gildo Arão Balate, Jorge Kanic Passe, Afonso Francisco, Alfredo Júnior, Candido Andrade, Cergílio Félix, Frank Lipunda, Severino Rafael.
Roteiro/Adaptação: Teresa Prata
Duração: 103 min.
Ano: 2006
País: Portugal/ Moçambique/ França/ Alemanha
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Estúdio: Filmes Fundo / Ébano Filmes
Produção: Filmes de Fundo
Co-produção: ZDF/ARTE
Distribuidora: Panda Filmes
Classificação: 16 anos

Prêmios - International Film Festival Kerala, Índia (2008) – Prémio FIPRESCI
- Pune International Film Festival, Índia (2008) – Melhor Realização
- FAMAFEST, Portugal (2008) – Prémio da Lusofonia
- Asian, African and Latin American Film Festival, Milão (2008) – Prémio SIGNIS
- Indie Lisboa, Portugal (2008) – Prémio do público e menção honrosa da Amnistia Internacional
- Festival Internacional de Cinema de Bursa, Turquia (2008) – Melhor Argumento

Filme: O Último Voo do Flamingo

Sinopse: Tizangara, uma pequena vila perdida no interior de Moçambique, poucos meses depois do fim da Guerra Civil. Cinco misteriosas explosões matam outros tantos soldados da Missão de Paz das Nações Unidas. Provas do crime? Apenas pénis decepados e os emblemáticos capacetes azuis. É este o ponto de partida para uma enigmática investigação conduzida pelo oficial de serviço designado pelas Nações Unidas, o Tenente-Coronel italiano Massimo Risi. Baseado no romance homônimo de Mia Couto.
Diretor: João Ribeiro
Elenco: Carlo D'Ursi, Eliote Alex, Adriana Alves, Cândida Bila, Mário Mabjaia, Alberto Magassela, Gilberto Mendes, Cláudia Semedo
Produção: Carlo D'Ursi, Antonin Dedet, Luís Galvão Teles
Roteiro: João Ribeiro, Gonçalo Galvão Teles
Fotografia: José António Loureiro
Trilha Sonora: Omar Sosa
Duração: 86 min.
Ano: 2010
País: Moçambique / Portugal
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: VideoFilmes
Estúdio: Carlo D'Ursi Produzioni / Fado Filmes / Neon Productions / Potenza Producciones / Slate One Produções
Classificação: 14 anos

Antônio Emílio Leite Couto, mais conhecido por Mia Couto, nasceu em 5 de Julho de 1955 na cidade da Beira em Moçambique. É filho de uma família de emigrantes portugueses. O pai, Fernando Couto (**), natural de Rio Tinto, foi jornalista e poeta, pertencendo a círculos intelectuais, tipo cineclubes, onde se faziam debates. Chegou a escrever dois livros que demonstraram preocupação social em relação à situação de conflito existente em Moçambique. Mia Couto publicou os seus primeiros poemas no jornal Notícias da Beira, com 14 anos. Iniciava assim o seu percurso literário dentro de uma área específica da literatura – a poesia –, mas posteriormente viria a escrever as suas obras em prosa. Em 1972 deixou a Beira e foi para Lourenço Marques para estudar medicina. A partir de 1974 enveredou pelo jornalismo, tornando-se, com a independência, repórter e diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) - de 1976 a 1976; da revista semanal Tempo - de 1979 a 1981 e do jornal Notícias - de 1981 a 1985. Em 1985 abandonou a carreira jornalística.


Reingressou na Universidade de Eduardo Mondlane para se formar em biologia, especializando-se na área de ecologia, sendo atualmente professor da cadeira de Ecologia em diversas faculdades desta universidade. Como biólogo tem realizado trabalhos de pesquisa em diversas áreas, com incidência na gestão de zonas costeiras e na recolha de mitos, lendas e crenças que intervêm na gestão tradicional dos recursos naturais. É diretor da empresa Impacto, Lda. - Avaliações de Impacto Ambiental. Em 1992, foi o responsável pela preservação da reserva natural da Ilha de Inhaca.

Mia Couto é um "escritor da terra", escreve e descreve as próprias raízes do mundo, explorando a própria natureza humana na sua relação umbilical com a terra. A sua linguagem extremamente rica e muito fértil em neologismos, confere-lhe um atributo de singular percepção e interpretação da beleza interna das coisas. Cada palavra inventada como que adivinha a secreta natureza daquilo a que se refere, entende-se como se nenhuma outra pudesse ter sido utilizada em seu lugar. As imagens de Mia Couto evocam a intuição de mundos fantásticos e em certa medida um pouco surrealistas, subjacentes ao mundo em que se vive, que envolve de uma ambiência terna e pacífica de sonhos - o mundo vivo das histórias. Mia Couto é um excelente contador de histórias. É o único escritor africano que é membro da Academia Brasileira de Letras, como sócio correspondente, eleito em 1998, sendo o sexto ocupante da cadeira nº 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa.

Atualmente é o autor moçambicano mais traduzido e divulgado no exterior e um dos autores estrangeiros mais vendidos em Portugal. As suas obras são traduzidas e publicadas em 24 países. Várias das suas obras têm sido adaptadas ao teatro e cinema. Tem recebido vários prêmios nacionais e internacionais, por vários dos seus livros e pelo conjunto da sua obra literária.

É, comparado a Gabriel Garcia Márquez e Guimarães Rosa. Seu romance Terra sonâmbula foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX. Em 1999, o autor recebeu o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto de sua obra e, em 2007 o prêmio União Latina de Literaturas Românicas.